Eu fui uma menina à espera de tantas coisas bonitas e simples.
Hoje sou uma mulher que ainda sente um vazio. Uns dizem que me faço de coitada quando falo que o problema sou eu mesma. A maioria não me compreende; podem achar drama na minha verdade dita. Mas já descobri o que falta em mim: foi o amor e a proteção que não tive na infância daquele que pensamos ser nosso herói.
Mas tudo bem. Eu cresci aparentemente frágil, mas sou mais forte do que imagino, eu sei. Então, o que me dói é ser julgada pelas coisas que digo — e que são verdades — e também pelas coisas que não consigo entender como o outro entende. Coisas que falo e que são vistas apenas como fragilidade ou como algo qualquer.
Mas são traumas que nunca vão paralisar de vez a minha vida, embora me limitem em muitos aspectos. Mas a alma continua à procura de alguém que seja sempre minha proteção, que seja meu colo, meu verdadeiro abrigo.
Que fique claro que a alma procura, mas eu, Rosilane, já sigo só. Já me conformei em ser meu próprio abrigo e minha própria companhia na solidão.
(Rosi Alves)

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