Aquele dia em que tudo parecia normal, a panela de pressão apitava a todo vapor. A cisma de tornar tudo mais leve fez com que ela seguisse até uma birosca para comprar seu vício: uma cervejinha para acabar aqueles afazeres. A vida sendo uma constante poesia aos olhos dela, o sol sempre brilhava mais forte. A contestação da aceitação também sempre a acompanhou: “ele não gosta de mim”, entre flores no caminho, ela nunca soube lidar com a rejeição. Ela brinca com essa dor antiga, faz artimanhas, sobrevive abreviando a solidão. No meio do caminho, o passado resolveu dar as caras, assim, sem dó nem piedade. É por essa razão que ela nunca gostou de deixar nada mal resolvido. A vida põe sempre na mesa as cartas perdidas; o vento sempre sopra, tirando a poeira encalacrada na dor de alguém. De um lado, alguém está bem; do outro, existe o que não entendeu o adeus a sangue frio. A distância de anos foi sugerida, aparentemente era o certo a ser feito. Sabe aquele “certo” feito de maneira errada?...
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