Foto 2026, abril
Eu não me adapto a risos frouxos, a risos que possuem a mesma intensidade da raiva e de quando se ama. Você não imagina, meu caro, o que é conviver com pessoas que têm a face da hipocrisia. Eu não me adapto. E o que mais me incomoda é que elas queiram que eu seja igual, que eu possua todas as suas futilidades.
Elas desejam a vida apenas por conveniência. Não é o amor que anda fútil, é a vida. Nessa tela de HD em nossas salas, meu caro, a insuficiência de vida é tanta que nem a alienação dá as caras. A alienação, por vezes, está em livros ou em religiões que ensinam a viver por seus ideais.
Eu não me adapto às infundadas certezas alheias, às suas filosofias, à sua prisão invisível. A inabilidade está na utopia... A utopia são sonhos paralelos.
Não é você que não se adapta; é o nosso caráter que não aceita certas coisas. A nossa vida é assim, as pessoas estão assim — e a gente não se adapta.
(Rosi Alves)
16 de abril , 2014 facebook

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