Eu não posso esperar que você entenda a minha alma, que escute a minha respiração. Eu não pedi amor, nem tampouco perdão; tudo o que eu queria era desarmar a tristeza que trazia no olhar, desarmar esse tédio, essa melancolia. A vida é poesia — não desperdice a luz que brilha lá fora.
Você sorri e diz que a vida não é essa poesia que invento, não é verbo, não é argumento, mas que a vida é esse fio de amor. Ver você fazer café, ver você sorrir é mais do que poesia: é ver a vida nascendo outra vez. O amor é essa entrega. Amar é o momento em que a vida se torna mágica; amar é não ter chance de pensar, é viver o agora, pois o amor te assegura, o amor te fortalece.
Mas entender meu modo de viver é tão complexo e entediante... Você nunca entendeu por que acordo sorrindo, por que fico horas ouvindo os pássaros cantarem em minha janela e, mesmo assim, me emociono como se fosse a primeira vez. A minha intensidade de viver te assusta. Um dia, já me contentei com chocolates e um quarto escuro e, como companhia, a tristeza — “ganhei no corpo o peso que trazia na alma”.
Você foi embora com olhar de amendoeira. Sentirei falta, isso eu bem sei, mas, ao amanhecer, contemplarei a beleza dos pássaros mais uma vez. Ouvirei Stevie Wonder e escreverei uma poesia antes de ir trabalhar. Depois, atravessarei a solidão dos barcos; o barulho do motor mistura-se ao mar. Apenas vou desenhar você em meio a essa solidão.
A noite é uma solidão bonita... Deito-me, pois já é madrugada — “hora marcada com a saudade”. Reflito sobre como as mudanças na vida são necessárias e, muitas vezes, sem explicação. Ele tinha a necessidade de partir, como eu tenho de tomar café. Sem drama — e, mesmo que seja amor, ele precisa morrer para nascer de novo.
(Rosi Alves)

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ResponderExcluirQuem é você, mulher que escreve
tão bem cada texto que posta?
Beijos,
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Querido, um grande abraço.
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